Sabe quando você está num dia qualquer do trabalho, cumprindo suas tarefas, dando tudo de si e mais um pouco, mas aquela voz no fundo da mente insiste em te dizer que, talvez, você não esteja fazendo tudo certo e que, talvez, algo que você ainda não sabe nomear vai dar errado? Então, eu estava me sentindo um pouco desse jeito quando resolvi dar uma chance para** Aurora: O despertar da mulher exausta**, da Marcela Ceribelli.
A Marcela é CEO e Diretora Criativa da Obvious, uma plataforma de conteúdo que, ouso dizer, é uma das mais potentes nesse mundo abundante de informações no qual todos nós, queira ou não, habitamos. Ah, ela também é apresentadora do Bom dia, Obvious, um podcast que fala sobre temas relacionados à saúde mental, universo feminino, criatividade e mais, na presença de especialistas e comunicadores.
Voltando ao Aurora. Eu havia visto aquela capa de livro rosa algumas inúmeras vezes na minha timeline, e depois de muito me aventurei nessa.
Diria que esse é o tipo de livro para se aventurar. Você provavelmente terá cerca de dez insights por capítulo e, se é o tipo de leitor que gosta de grifar o livro assim como eu, pode acabar com as páginas tomadas por marca-texto ao final da leitura. Afinal, se trata de uma literatura não-ficcional, sobre temáticas extremamente atuais e relevantes para nós mulheres, principalmente. Tocando em temas como ansiedade, síndrome da impostora, redes sociais e nossos corpos, trabalho invisível das mulheres e até sobre relacionamentos.
O livro é repleto de referências bibliográficas de peso e dividido em cinco partes. E, segundo a própria autora, foi estruturado para ser lido sem ordem correta. Ou seja, podemos ler de acordo com o que faz mais sentido para você.
Li na ordem e que leitura boa! Daquelas que você relembra no dia a dia, seja num obstáculo difícil no trabalho, ou numa conversa sincera entre você mesma e um espelho. Mas, nada que seja extremamente “cabeção” ou até mesmo clichê. A Marcela tem aquele dom de narrar acontecimentos caóticos da vida, desenrolar com algum aprendizado, com uma pitada de humor. Por vezes, me peguei dando algumas tímidas risadas, mesmo em assuntos delicados, como sintomas de uma possível síndrome da impostora, citados lá em Exausta, na parte um do livro.
A leitura é um convite para quem está exausto de se sentir exausto. É a tentativa de investigar um pouco mais das expectativas que recaem sobre nós, mulheres, mostrando caminhos para silenciarmos, pouco a pouco, nossas vozes internas um pouco teimosas, para um “despertar mais amoroso”.